Quem vive, quem morre e por quê?

Li o livro Deep Survival, faz parte da lista de livros do site Personal MBA. O autor, Laurence Gonzales, escreve para revista National Geographic Adventure Magazine. No início o livro fala sobre pessoas experientes que cometem erros banais e fatais em sua área e porque isso acontece. Uma das conclusões do autor chega sobre o motivo que as pessoas gostam de correr riscos é que corpo sente muito prazer ao escapar dessas situações de perigo. Porém esse mesmo prazer que teoricamente seria uma função de sobrevivência nos leva a morte já que pessoas experientes tentam repetir as situações de perigo de uma maneira burra.

Deep Surivival
Alguns fatos interessantes li nesse livro:

  • Vários policiais baleados em tiroteios falam sobre uma visão em túnel, isso acontece pois o corpo se foca tanto na ameaça que esquece o que está acontecendo a sua volta.
  • Pessoas que não sabem nadar, ao se afogar a primeira reação é levantar os braços para tentar agarrar alguma coisa, só que essa é a pior reação que alguém pode ter já que assim o corpo afunda.
  • Muitos dos primeiros mergulhadores que usavam aquela roupa enorme com uma mangueira para respirar morriam ao abrir a escotilha por claustrofobia. Cientistas tentavam entender o que se passava na cabeça desses mergulhadores já que a morte era certa, mas segundo o autor do livro não existia pensamento, era uma ação involuntária e por isso morriam. É a reação natural do corpo que não tem reações inteligentes a situações de perigo nunca antes enfrentadas em sua evolução.
  • Vemos o mundo a partir de modelos mentais, criamos esses modelos mentais para conseguir sobreviver a complexidade do mundo. Criamos planos levando em conta o que já conhecemos, o problema é que as vezes esses planos não correspondem com a realidade. A maioria dos seres vivos, para sobreviver cria planos. Plano nada mais é que a capacidade de tentar prever o futuro.
  • Um homem conhecia apenas charretes e cavalo e ao atravessar uma linha de trem e ao ver ao trem tentou atravessar e foi atropelado. Ele nunca tinha visto um trem na vida e o cálculo para atravessar era baseado do que ele conhecia de velocidade de uma charrete.
  • Existe um truque de mágica que o pai do autor sempre fazia que era dar algumas cartas para os filhos e o filho deveria escolher uma. Após isso ele mandava a criança embaralhar as cartas. O pai dele conseguia adivinhar qual carta era graças ao dilatamento da pupila do filho quando ele via a carta. É uma resposta natural do cérebro quando encontra o objeto que está no modelo mental a ser procurado. Prestar atenção em tudo gasta muita energia por isso o cérebro tenta se focar no que precisa ser feito.
  • As pessoas fazem coisas estúpidas quando vêem pessoas em perigo. Uma pessoa tentou nadar de New Jersey até Manhattan para salvar pessoas quando houve os atentados no World Trade Center.
  • Pessoas que tem um propósito tem mais chance de sobreviver. Médicos e enfermeiros sobrevivem mais porque tem alguém para cuidar. As pessoas que sobrevivem normalmente lutam pela sobrevivência pois tem alguém a espera.
  • Em aula de sobrevivência os professores levam os alunos para o meio da floresta e perguntam se eles sabem o caminho de volta e o resultado é que nunca sabemos. Quando se caminha seguindo alguém as pessoas não prestam atenção no caminho e isso leva todos a se perderem.
  • Os aborígenes da Austrália fazem músicas como técnica de memorização para lembrar por onde vieram. Sempre que olham uma encruzilhada eles olham para trás e buscam algo para se lembrar.
  • Sobreviventes não colocam a culpa em Deus ou em outros problemas. Sabem que tem que se adaptar e ser responsável por si.
  • Pessoas que rezam tem uma taxa de sobrevivência maior por se focar em algo, mas existem os que acreditam que Deus vai vir resgatar e ficam só esperando e morrem.
  • Os melhores sobreviventes não perdem tempo, especialmente em emergências, ficando preocupado sobre o que perderam, ou se sentindo mau devido as coisas estarem mau, porém são essas mesmas pessoas as mais difíceis de curar pois não levam seu corpo tão a sério.

Gostei muito desse livro, ajuda a entender nossas limitações e como pensamos.

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